- Pesca esportiva amplia a cadeia de turismo e serviços no Brasil.
- Prática de pesque e solte ganha espaço e contribui para a preservação de espécies.
- Estruturas de pesca movimentam empregos e renda em regiões remotas.
A pesca esportiva vem ampliando seu espaço no turismo brasileiro e criando uma cadeia que envolve equipamentos, transporte, hospedagem, alimentação, guias e operadores especializados. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Marcelo Claro, CEO da Pesca & Companhia, destacou que o crescimento da modalidade está ligado principalmente à expansão da infraestrutura voltada aos praticantes.
Segundo Claro, a atividade deixou de ser concentrada em um público mais restrito e passou a atrair famílias, crianças e mulheres. Estruturas instaladas em regiões como o Pantanal e a Amazônia facilitaram o acesso aos locais de pesca e contribuíram para a profissionalização do segmento.
A cadeia econômica começa nos equipamentos utilizados pelos pescadores e chega a estruturas de grande porte. O executivo citou desde varas e anzóis até embarcações com motores de alta potência. Para ele, a diversidade de rios, lagos, represas e áreas costeiras coloca o Brasil em uma posição diferenciada para o desenvolvimento do turismo de pesca.
Pesque e solte ganha espaço
A preservação ambiental também passou a fazer parte da evolução da pesca esportiva. Claro afirmou que a maior parte dos peixes capturados atualmente é devolvida à água, prática que ganhou força diante da necessidade de reduzir a pressão sobre os estoques naturais.
O executivo citou o dourado como exemplo. Segundo ele, a espécie sofreu forte pressão de pesca no Pantanal e chegou a desaparecer de determinadas áreas. A adoção de legislações específicas e medidas de preservação teria contribuído para a recuperação dos cardumes.
Em alguns estados, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, existem regras que permitem o consumo de determinados peixes no próprio local da pescaria, mas restringem o transporte para casa. A regulamentação também estabelece espécies cuja captura é proibida.
A expansão da pesca esportiva também tem impacto direto sobre comunidades localizadas próximas aos destinos turísticos. De acordo com Claro, a atividade criou empregos e levou serviços e estruturas para regiões antes pouco integradas a esse tipo de cadeia econômica.
O setor envolve profissionais como guias de pesca, equipes de embarcações, garçons, funcionários de lavanderia e trabalhadores de pequenas hospedagens. As operações também exigem treinamento específico para atender os turistas que chegam às áreas de pesca.
Claro destacou ainda que algumas dessas estruturas passaram a oferecer serviços básicos de saúde e vacinação para comunidades locais. A presença desses empreendimentos, segundo o executivo, contribui para a circulação de renda em regiões afastadas dos grandes centros.
Mercado ainda tem espaço para crescer
Para o CEO da Pesca & Companhia, a combinação entre infraestrutura turística, diversidade ambiental e aumento do interesse de novos públicos sustenta o potencial de expansão da pesca esportiva no Brasil.
O executivo também citou a atuação do governo federal no desenvolvimento do setor. Segundo Claro, desde 1998 existem iniciativas voltadas à pesca amadora e à geração de empregos e renda por meio da atividade.
Com a entrada de novos praticantes e a profissionalização das operações, a pesca esportiva passa a ocupar um espaço que vai além da prática esportiva. O segmento conecta turismo, serviços, equipamentos e desenvolvimento econômico em diferentes regiões do país.
